I used to be love drunk but now I’m hangover.

Eu estive bêbada. Incontáveis vezes. E em todas elas, o motivo foi você. Andei bêbada de você. Tudo que eu sinto agora é ressaca, porre, maré errada… chame do que quiser. É ressaca de todos os momentos bons e ruins que passamos juntos. Pela sua escrotice de achar que sequer poderíamos ser amigos. Por me abandonar quando eu mais precisava de você. Ambos quisemos que funcionasse. Em momentos diferentes. Tempo é uma vadia, não? E olha, sempre ouvi dizer que ele curava tudo, hoje afirmo categoricamente que há controvérsias. Hoje eu tô de porre, mais uma vez. Porre pelos caras que já passaram, olharam, me tocaram e só me fizeram lembrar do quanto você faz falta. Me fizeram olhar para o celular dezenas de vezes, ponderando se eu devia ou não aproveitar seu status online para dizer tudo que eu tenho guardado desde que terminamos. Mas não adianta, você não respondeu minhas mensagens, não quis dar importância quando contei do meu novo emprego dos sonhos, ou do projeto de trabalho voluntário na Africa. LOGO VOCÊ! Que sempre dividiu comigo sonhos e planos, que sempre me contava em primeira mão e ouvia palavras de apoio em toda nova empreitada ou decisão de vida.
Minhas amigas disseram que era hora de dar um tempo, de esfriar a cabeça e me afastar de tudo que lembrasse de ti e do nosso passado, não acho que isso seja possível. Hoje já perdi as contas de quantas vezes derrubei bebida na minha roupa, quantas vezes esbarrei num estranho e de quantos me puxaram para um beijo… um deles foi bem sucedido. Só deixei que acontecesse porque o cara é o oposto de você. Não tem essa barba que me deixava maluca quando roçava na minha nuca. Não tem aquele cheiro bom de pós-barba. Não usa jeans e camisa branca e fica irresistivelmente lindo. Não tem um jeito de sorrir de lado que me deixou louca desde que te conheci. Ele não é você. E ao invés de me trazer prazer, a única coisa que eu consigo sentir é frustração. Porque mesmo ele tocando em lugares que você dizia serem só seus, a realidade bate e eu sei que esse corpo agora é só meu e me frustra saber que gastei tanto tempo tomando porres de você, porres por você.
Me sinto mais completa agora, ao fim da noite quando tiro fora a máscara de mulher recém solteira baladeira e me olho no espelho. Eu era louca por você, não no sentido doentio, mas eu era. Era louca pelas nossas tardes de domingo jogados na cama assistindo TV. Pelas sextas nas quais passavamos de pijamas, ouvindo a descoberta musical da semana e dançando na cozinha feito dois idiotas sem um pingo de coordenação motora. Pelas descobertas culinárias nos cantinhos da cidade. Pelas viagens de fim de semana. Pela cumplicidade. E até mesmo pelo silêncio… entender e se sentir confortável com o silêncio do outro era mais uma prova do quanto evoluímos ao longo do nosso relacionamento.
Agora eu não espero nada mais, especialmente vindo de você. Só quero que um dia, em cada vestígio meu que encontrar pelo seu apartamento sinta o quanto eu senti nas últimas semanas, que entenda o quanto doeu lembrar de alguém que costumava ser parte da sua vida e por escolha sua: foi embora.

E espero que seja sua vez de tomar porres da sua pequena, pela sua pequena.

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